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BREVE
HISTÓRIA DA TATUAGEM
Muitas
pessoas admiram obras de arte. Tanto quadros, como pinturas
ou desenhos fazem parte da vida do Homem desde os primórdios
da civilização. Muitos gostariam de possuir belos quadros
emoldurados nas paredes, quer seja pela sua simbologia ou
somente pela sua beleza. Mas...e se tu pudesses ser a moldura?
A tatuagem, ao contrário do que se pode pensar, não é um
produto cultural recente. Desde tempos remotos, o Homem
imprime pinturas e símbolos da sua cultura na pele. Seja
por religião, vaidade ou status social, o ato de gravar
no corpo continua sendo, até hoje, uma forma de ritual,
um momento de sacrifício e socialização.
Especula-se que a tatuagem tenha suas origens ligadas ao
antigo Egito. Onde tatuar consistia em inserir um pouco
de tinta à base de vegetais logo abaixo da derme, através
de uma haste de osso, especialmente afiada na ponta.
Por ter sido a mais desenvolvida sociedade de sua época
e por ter tido contactos constantes com Creta, Grécia e
Arábia, a arte egípcia pode ter se disseminado pelo resto
do mundo através das rotas comerciais.
No Egito, tatuar tinha um significado altamente religioso.
De fato, múmias com cerca de cinco mil anos de idade foram
encontradas com marcas por todo corpo. A mais importante
delas, a da sacerdotisa Amunet, possuía vários traços e
pontos gravados nas pernas, colo e braços, como símbolo
de fertilidade e longevidade.
Mas misteriosamente, povos relativamente isolados como os
Polinésios, os Maias, os Astecas e os bárbaros da Europa,
também desenvolveram os seus próprios estilos de tatuagem.
A técnica pouco variava, mas os desenhos e motivos das pinturas
eram singulares em cada cultura.
Para os Samoanos, o ato de pintar o corpo marcava a passagem
da infância para a maioridade. Enquanto não fosse marcado,
o membro da tribo, por mais velho que fosse, não teria voz
numa roda de adultos, nem teria permissão para tomar uma
esposa para si. A tatuagem também funcionava como instrumento
de ascensão social. Quanto mais tatuado fosse o Samoano,
mais alto seria seu status na tribo.
Já no Japão feudal, acontecia exatamente o contrário. As
tatuagens eram usadas como forma de punição, tornando-se
sinônimo de criminalidade. Para o japonês, muito preocupado
com sua posição na sociedade, ser tatuado era pior do que
a morte. Mas com a era Tokugawa, época de intensa repressão,
ser criminoso se tornou sinônimo de resistência, popularizando
a tatuagem.
Foi nessa época que surgiu a Yakuza, a máfia japonesa, cujos
membros têm os corpos todos pintados em sinal de lealdade
e sacrifício à organização e simbolizando a sua oposição
ao regime.
Na América, tanto as tribos indígenas dos Estados Unidos,
quanto as civilizações Maias e Astecas, eram praticantes
da tatuagem. Para os Índios Sioux, tatuar o corpo servia
como uma expressão religiosa e mágica. Eles acreditavam
que após a morte, uma divindade aguardava a chegada da alma
e exigia ver as tatuagens do índio para lhe dar passagem
ao paraíso.
Interpretações similares faziam parte da maioria das culturas
indígenas norte-americanas, mas devido à colonização, tanto
a tradição foi esquecida, tal como os registros históricos
foram perdidos, deixando uma grande lacuna na historia da
cultura americana.
Um pouco mais próximo da linha do equador, Cortez se espantou
com o fato dos Maias praticarem o culto dos deuses de pedra.
Mais ainda, estes povos tinham o costume de gravar as imagens
dos seus deuses na própria pele. Apesar dos europeus terem
desenvolvido a tatuagem com os Celtas e os povos bárbaros,
os conquistadores nunca tinham visto uma tatuagem antes,
o que ajudou a qualificarem os Maias de "adoradores do diabo"
e os massacrarem pelo seu ouro.
Esta ignorância dos espanhóis se deve ao fato da Igreja
Católica ter proibido a tatuagem em 787 D.C., alegando que
a prática estava associada à superstição e ao paganismo.
De lá, até o fim da idade média, a tatuagem tornou-se uma
prática quase esquecida. Com as grandes navegações e descobrimentos,
começaram a chegar notícias de povos que gravavam figuras
na pele.
Em 1691, um príncipe das Filipinas, feito escravo, foi trazido
a Londres como uma atração. Os seus donos o exibiam como
uma criatura exótica, tatuada da cabeça aos pés. O seu nome
era Giolo e foi o primeiro contacto dos europeus com a tatuagem
depois de séculos de proibição.
No final do século XIX, a febre da tatuagem espalhou-se
na Inglaterra como em nenhum outro país da Europa. Graças
à prática dos marinheiros ingleses em tatuarem-se. Vários
segmentos da sociedade inglesa se tornaram adeptos da tattoo,
como passou a ser chamada.
Até mesmo o rei Edward VII tatuava o corpo com freqüência,
tendo deixado explícito, antes de morrer, o desejo de que
os seus filhos também fossem tatuados. No início da sua
vida, o filho de Edward, o rei George VII, ordenou a seu
tutor que o levasse a um estúdio no Japão, para ser tatuado
pelo mestre Chiyo, a maior autoridade local.
Mas mesmo com a realeza tendo sido tatuada, psicólogos e
advogados, insistiam em associar o ato de tatuar com uma
propensão à criminalidade e marginalidade. Outros interpretavam
a penetração da carne como uma tendência à homossexualidade.
O fato é que até hoje, muitas pessoas são discriminadas
por terem os seus corpos tatuados como os povos antigos.
E apesar de toda a propaganda contrária, cada vez mais gente
se dispõe a derramar um pouco de sangue e gravar na pele
figuras que cativam, excitam, polemizam e embelezam os seus
corpos.
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